
Sábado, 30 de Agosto de 2008. 00:22 h Algures em Portugal
(...)Caem lágrimas dos meus olhos enquanto te escrevo estas palavras.
Não era suposto ser assim, mas pelos vistos vai ser. Queria conseguir pôr um sorriso no meu rosto, mas não consigo. Queria ficar feliz por pensar no amor que nos une e nas palavras sinceras que tinha para te dizer mas não consigo.
Estou invadido por uma tristeza que me dilacera as entranhas. Sinto um formigueiro que me percorre todo o corpo, acordando dentro de mim uma vontade de gritar em plenos pulmões... Apetece-me soltar toda a raiva que me percorre o corpo. Há um barulho de fundo que me irrita, é o motor do frigorífico a girar num movimento contínuo alimentado pela energia proveniente da corrente eléctrica.
Também eu estava invadido de uma grande energia.
Estava alimentado pelo sonho de te visitar na tua ilha e poder aproveitar ao máximo tudo o que ela tem para oferecer, saciando ao mesmo tempo toda a saudade que sinto de te ter junto a mim.
Mas cortaram-me a energia.
Morri.(...)
(...) Mais uma vez, as palavras metem-me nojo. A vida mete-me nojo. Sinto-me enjoado. Saturado.
Queria dizer-te com um sorriso na cara que és a mulher da minha vida e que te vou amar para sempre. E queria explicar-te porquê com palavras bonitas, daquelas que escrevo quase sem saber como. Mas neste momento estou desnorteado, sem saber o que fazer ou pensar. apetece-me fugir e é o que eu vou fazer. Vou procurar um abrigo que me acalme na rua. Vou tentar voltar rápido para escrever direito o que te quero dizer.
Voltei, finalmente. (...)
(...) Mas eu hoje fui morto.
Mataram aquilo em que eu acreditei com muita força.
A vida é feita de crenças.
Se não acreditar-mos, não temos força para viver e aproveitar todos os momentos que nos são dados por aqueles que amamos.
Hoje senti outra vez as palavras que te quero dizer há algum tempo. E não as vou deixar fugir outra vez.
Queria que ouvisses da minha boca, com cada um dos soluços que solto enquanto vou chorando rios de frases. É mesmo assim, as minha frases são como um rio que corre sempre na mesma direcção, no mesmo sentido, rumo a um destino que já estava traçado, o de ir desaguar a um grande oceano, onde se fundem numa sinestesia de sensações, pautadas por toda a força que esse rio teve ao rasgar cada um dos vales que percorre até te encontrar.
Gostava de ter a tua orelha colada à minha boca enquanto te ofereço todas estas palavras.
Adorava poder abraçar-te com muita força para sentires que tudo o que digo me sai do coração, essa fonte que bombeia em sangue o amor que sinto por ti.(...)
(...)Já amei e fui amado. Já amei e fui magoado. Já entreguei o meu corpo com total confiança e fui muito maltratado. As atitudes das pessoas não são feitas pelo que nós lhes damos, são sim o fruto das crenças que habitam dentro delas e que definem os moldes do que elas são, fazendo nelas a distinção entre o que é o bem e o que é o mal. Não existem dois caminhos, nem existem duas identidades ou duas facetas, cada um de nós é o que é, e se o contrário acontecer ou somos aquele a quem chamam "Deus" ou somos doentes mentais.
Nesta nossa existência somos programados pela natureza a procurar o conforto em quem nos faz sentir bem e completos. Há os que são excepcionalmente iluminados, que acham que não precisam de ninguém para viverem e serem felizes. Eu não vou mentir: Preciso de ti.
Ao longo destes 23 anos em que vivo e respiro já passei por muitas coisas e já vi muitas coisas acontecer. Já vi coisas boas e coisas más. Já perdi amigos próximos por quem ainda hoje choro a sua partida e já ganhei muitos também. Sei o que quero no meu futuro para ser feliz. Tu passas pela minha felicidade. No amor não vale a pena andar-mos à procura da pessoa perfeita, com os mesmos gostos ou com as características, nem mesmo aquela certeza astrológica que a matemáticas das estrelas tenta explicar. No amor temos de procurar sim uma pessoa que tenha o mesmo objectivo de vida que o nosso. O nosso objectivo de vida é ser-mos felizes. Já viste, que coincidência? Coincidência ou pura matemática do destino que resolveu cruzar os nossos caminhos?
Deixa-me confessar-te uma vez mais que és perfeita. Perfeita não num sentido universal da palavra. Quando eu digo que és perfeita, digo-o porque sinto que és perfeita para mim e para a minha felicidade.
Queres uma prova?(...)
(...)Como já te disse, já vivi grandes paixões, mas nunca acreditei em nenhuma. Nunca senti o afecto e carinho que me dás, nem nunca senti como sinto contigo. Já fui abandonado quando pensava que podia amar, mas nunca tive consciência de que amava verdadeiramente. A palavra chave no nosso amor é que eu acredito e sei que posso acreditar. Acredito porque tenho o impulso de te escrever este texto, acredito porque sorrio sozinho quando penso em ti. Acredito porque choro quando sinto a tua falta. Acredito porque sinto um enorme prazer em te desenhar. Acredito, porque nunca senti tanto a falta de alguém como sinto a tua. Acredito porque nunca fui tão feliz nem nunca tive tanta vontade e tantos projectos como tenho contigo. Acredito, porque até hoje és a única pessoa por quem eu dou a minha vida, o bem mais precioso que eu tenho depois de ti!
A forma como dizes que me amas e a forma como te entregas a mim deixam-me ler nos teus olhos que o dizes com o coração e que falas a verdade. Eu acredito e eu sei que tu acreditas. Quero percorrer este caminho sempre contigo. O meu amor por ti é como o rio de que falei antes: a sua água (o nosso amor) é o fruto de uma nascente, pautada pela constante regeneração. é impossível lavarmo-nos na mesma água de um rio duas vezes, porque ela está sempre a correr. Assim é o meu amor por ti. Sempre novo, sempre pautado por essa força e essa vontade muito grande de percorrer-mos juntos o caminho para a felicidade. É fonte de vida. E quando um rio seca, é porque está morto. Se algum dia o meu amor por ti acabar, vai ser porque já não estou neste mundo, porque o meu corpo abandonou este espaço terreno. No entanto, mesmo quando um rio seca, deixa sempre ficar a marca da sua passagem, nos vales por onde rasgou, nas culturas que alimentou. Assim, no dia em que eu morrer, todos vão saber, porque fica aqui registado que Pedro Torres foi feliz porque encontrou Sandra Boloto e com ela percorreu o rio que é o amor.
Eu vou amar-te para sempre, podes escrever isto.(...)
Excertos do texto "30 de Agosto" de Silva Torres